Alguém disse …

•Junho 28, 2008 • 1 Comentário

 

Este texto é dedicado à minha mãe e à minha esposa …

 

“Alguém disse …

… que um filho está no ventre durante nove meses; esse alguém não sabe que um filho está no coração por toda a vida.

 

… que seis semanas depois de se dar à luz se volta à normalidade; esse alguém não sabe que depois de se dar à luz não existe normalidade.

 

… que se aprende a ser mãe instintivamente; esse alguém nunca foi às compras com uma criança de três anos.

 

… que ‘bons pais’ fazem ‘bons filhos’; esse alguém pensa que as crianças vêm com manual de instruções e garantia.

 

… que as ‘boas’ mães nunca gritam; esse alguém nunca viu o filho quebrar a janela do vizinho com a bola.

 

… que não é necessário uma boa educação para se ser mãe; esse alguém nunca ajudou o filho a estudar matemática.

 

… que não se pode amar o quinto filho como o primeiro; esse alguém não teve cinco filhos.

 

… que não se pode encontrar nos livros todas as respostas às perguntas sobre como criar filhos; esse alguém nunca teve um filho que colocou um feijão no nariz.

 

… que o mais difícil de se ser mãe é o parto; esse alguém nunca deixou o filho no primeiro dia de creche.

 

… que uma mãe pode fazer o seu trabalho com os olhos fechados e uma mão atada atrás das costas; esse alguém nunca organizou uma festa de aniversário para a sua filha.
 
 

 

… que uma mãe pode deixar de se preocupar com os filhos qundo se casam; esse alguém não sabe que o casamento agrega genros e noras ao coração de uma mãe.

 

… que o trabalho de uma mãe termina quando o último filho sai de casa; esse alguém não tem netos.

 

… que uma mãe sabe que o seu filho a ama, por isso não é necessário dizer-lhe; esse alguém não é mãe.

 

… que uma mãe não necessita da compreensão e do ‘eu gosto muito de ti’ de um filho; esse alguém não é filho.”

Crianças e a Nova Terra

•Junho 24, 2008 • Deixe um comentário

Dia desses, quando fui levar o João Pedro para a escola, fiquei observando a reação de alguns pais de colegas dele. Também tenho observado as mesmas reações de pais de crianças em outros locais públicos

Há algum tempo tenho refletido sobre qual o papel dos pais na educação de um filho. Ao mesmo tempo tenho me questionado muito sobre como venho agindo com os meus (João Pedro de 5 anos, Juliana e João Vítor de 1 ano). Amor, carinho, afeto são uma premissas básicas que quaisquer pais devem ter na sua bagagem. Tenho insistido muito, principalmente com o João Pedro, que é o mais velho deles e que já tem certa consciência de algumas coisas, sobre quais os cuidados que ele, e ao mesmo tempo todas as crianças, deveriam ter com o planeta. Confesso que, no meio de tanta confusão de tempo, dinheiro, trabalho, que circulam nossas vidas, esse assunto de cuidados com a natureza tem me preocupado muito, pois os meus filhos herdarão aquilo que eu e você vamos deixar pra eles. A escassez de recursos naturais (muitos deles estão à beira da escassez mesmo) não deve ser aquilo que deixaremos para aqueles a quem tanto amamos e dedicamos toda a nossa vida. Entendo que tem pessoas que “se amam” tanto a ponto de não se preocuparem com tais aspectos e querem viver intensamente a vida – desperdiçando. Aliás, não entendo!

Dias atrás vendo uma reportagem no Jô Soares, de um filósofo – que não me lembro o nome – cujo título era “qual é a sua obra”, ou seja, o que é que vamos deixar para a humanidade, depois que fizermos a passagem, tive a certeza de que, pelo menos nesse aspecto, estou no caminho certo. Ele ainda citou um provérbio chinês: num jogo de xadrez, ao final, tanto o peão quanto o rei vão para a mesma caixa.

Este deveria ser o papel de todo o pai e mãe, educar seu filho no sentido de cuidar da natureza, preservar os recursos naturais. Se não educarmos agora, eles serão apenas um reflexo daquilo que nós somos – consegui me tocar disso em tempo de tentar influenciar os meus filhos.

Pálido Ponto Azul

•Junho 24, 2008 • Deixe um comentário

Trecho extraído do livro Pale Blue Dot, de Carl Sagan

“Nós estamos aqui: o Pálido Ponto Azul.
A espaçonave estava bem longe de casa.
Eu pensei que seria uma boa idéia, logo depois de Saturno, fazer ela dar uma última olhada em direção de casa.
Desde Saturno, a Terra apareceria muito pequena para a Voyager apanhar qualquer detalhe … nosso planeta seria um ponto de luz, um pixel solitário.
Dificilmente distinguível de muitos outros pontos de luz que a Voyager avistaria: planetas vizinhos, sóis distantes.
Mas, justamente por causa dessa imprecisão de nosso mundo assim revelado valeria a pena ter tal fotografia.
Já havia sido bem entendido por cientistas e filósofos da Antigüidade Clássica que a Terra era um mero ponto em um vasto cosmos circundante.
Mas ninguém jamais a tinha visto assim.
Aqui estava nossa primeira chance, e talvez a nossa última nas próximas décadas.
Então, aqui está – um mosaico quadriculado estendido em cima dos planetas … e um fundo pontilhado de estrelas distantes.
Por causa do reflexo da luz do sol na espaçonave, a Terra parece estar apoiada em um raio de sol.
Como se houvesse alguma importância especial para esse pequeno mundo … mas é apenas um acidente de geometria e ótica.
Não há nenhum sinal de humanos nessa foto tirada pela Voyager.
Nem nossas modificações da superfície da Terra, nem nossas máquinas, nem nós mesmos.
Desse ponto de vista, nossa obsessão com nacionalismos não aparece em evidência. Nós somos muito pequenos.
Na escala dos mundos, humanos são irrelevantes, uma fina película de vida num obscuro e solitário torrão de rocha e metal.
Considere novamente esse ponto.
É aqui. É nosso lar. Somos nós.
Nele, todos que você ama, todos que você conhece, todos de quem você ouviu falar, cada ser humano que já existiu, viveram suas vidas.
A totalidade da alegria e do sofrimento, milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas, cada caçador e saqueador, cada herói e covarde, cada criador e destruidor da civilização, cada rei e plebeu, cada casal jovem apaixonado, cada mãe e pai, cada criança esperançosa, cada inventor e explorador, cada educador, cada político corrupto, cada líder ‘supremo’, cada ‘superstar’, cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu ali, numa partícula de poeira, suspenso em um raio de sol.
A Terra é um palco muito pequeno numa imensa arena cósmica.
Pense nas infinitas crueldades infligidas pelos habitantes de um canto desse pixel nos quase imperceptíveis habitantes de algum outro canto … Como são freqüentes seus desentendimentos, como eles são sedentos por matar uns aos outros, como fervilham seus ódios.
Pense nos rios de sangue derramados por todos esses generais e imperadores para que, em glória e triunfo, eles pudessem ser os chefes momentâneos de uma fração de um ponto.
Nossas atitudes, nossa imaginária auto-importância, a ilusão de que nós temos alguma posição privilegiada no universo, são desafiadas por este ponto de luz pálida.
Nosso planeta é um pontinho solitário na grande e envolvente escuridão cósmica.
Em nossa obscuridade, em toda essa imensidão, não há nenhum indício de que a ajuda virá de algum outro lugar para nos salvarmos de nós mesmos.
Goste disso ou não, neste momento, a Terra é onde estamos estabelecidos.
Tem sido dito que a astronomia é uma experiência de humildade e formação de caráter.
Talvez não haja melhor demonstração da tolice das vaidades humanas do que essa imagem distante de nosso pequeno mundo.
Ela enfatiza nossa responsabilidade de tratarmos melhor uns aos outros, e de preservar e estimar o único lar que nós conhecemos: o pálido ponto azul.”

Fé e mudança de paradigmas

•Novembro 20, 2007 • Deixe um comentário

 

Passagem extraída do livro “Pare de Sofrer”, de Zíbia Gaspareto 

“ … Na hora em que você for surpreendido por um fato novo, desagradável ou não, assustador, inesperado, confie. Pense que a vida trabalha pelo melhor. Que faz tudo certo. Convença-se disso. Não pense em conseguir soluções imediatas ou em fugir daquilo o mais rápido possível. É dessa forma que, agarrados a nossas velhas idéias, bloqueamos todos os benefícios que a vida está nos oferecendo e acabamos por necessitar que ela ainda nos ajude mais, utilizando outros estímulos mais fortes, sempre chocantes para nós.A confiança, a tentativa de compreender, a aceitação de um fato do qual não podemos evitar ou fugir facilitam nossa percepção das coisas que até então não conseguíamos notar. E se além da confiança ainda juntarmos atentamente a vontade de perceber o que a vida pretendeu nos ensinar com aquele fato, por certo descobriremos coisas importantes e reveladoras a nosso respeito.Enfrentar o inevitável, olhar para o real com coragem e confiança abre nossa percepção e nos torna mais conscientes. E não é esse o objetivo da vida? …”